Uma homenagem à mulher-mãe!

"E num dia de bendita magia, numa explosão de luz e flor, num parto sadio e sem dor, é capaz, bem capaz, que uma mulher da minha terra consiga parir a paz. Benditas mulheres." Rose Busko

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Dia da Gestante por Patrícia Borde

15 de agosto foi o dia da gestante. Deixo aqui um registro do meu último dia de gestação. 

Na foto, um sábado lindo, azul, solar. Por dentro um misto de ansiedade e fascinação. Eu sabia que depois de 42 semanas e 2 dias de espera, estava bem perto de vivenciar o milagre do nascimento do amor mais profundo que eu viria a sentir. 

Esse dia durou muitas horas. Foi o desfecho de uma longa e difícil espera. 

Ter uma gestação saudável como tive não significa que tudo seja fácil e simples. Idealizar é o primeiro grande erro da maternidade e gera muitas frustrações. E não, a mulher não nasceu para ser mãe. Essa é a maior crueldade que se impõe às mulheres. 

A mulher precisa querer se tornar mãe. E isso precisa ser uma decisão de cada mulher. Uma escolha sobre sua vida e seu corpo. E quando ela aceita a empreitada da maternidade, ela vai ver o quão doloroso é. E o quão maravilhoso também. Ela aprende que existem dias bons e dias ruins, que ela não tem controle sobre tudo, que existe alguém mais importante que ela mesma que precisa tanto do seu amor e ela entende que é necessário cuidar de si e estar íntegra para partilhar o cuidado com o outro. 

O outro, um ser de luz que chega para virar sua vida pelo avesso e destruir todas as suas certezas. O outro que te ensina o poder da alteridade radical e te faz ver que o universo não gira ao redor do seu próprio umbigo, mas está sim conectado a ele por um cordão que alimenta, nutre, faz crescer e proliferar amor. 

Gestar é emprestar e dividir o seu corpo para outra pessoa poder viver. É a dor e a delícia de sentir seu coração pulsando fora do peito.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano

Na espécie humana a amamentação é não é um ato apenas biológico, mas sobretudo, sócio-cultural. Isso significa dizer que para amamentar, uma mulher precisa de apoio, incentivo e muitas vezes, também precisa de ajuda.

A Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, além de coletar as doações de leite, que são então distribuídas para recém nascidos prematuros ou de baixo peso, oferece também atendimento gratuito para mulheres com dificuldades para amamentar. 

Além das unidades da RBLH, que estão espalhadas em diversas cidades em todo país, há também atendentes e consultores de amamentação espalhados pelo Brasil a fora e que fazem desde cursos de preparação para amamentação, até atendimentos domiciliares em caso de dificuldades.

Entenda os benefícios que amamentar pode trazer para seu bebê e até para sua família e em caso de necessidade, não deixe de procurar ajuda especializada.


quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Amamentação Real

Relato de Tatiana Simen

A #SemanaMundialAmamentacao está chegando e já vou me adiantando por aqui... 😉 Desejo desde já muuuuuuuuuuuuuuuito apoio às mamães e muuuuuuuito leite para as crias !!!!! 😍😍😍 #amorliquido #amoremgotas 😍😍

Sempre fui a favor da amamentação por todos os inúmeros benefícios para cria e p mãe. Agora, vivenciando esse universo bem mais de perto, percebo cada vez mais a necessidade de informação de qualidade para as mães. Toda mãe tinha que ser muito bem orientada ao invés de desestimulada como muitos amigos, familiares e até profissionais de saúde fazem. Muito triste isso... 😓

Amamentar é muito difícil!!!! Você tem que estar muito convicta e esclarecida. Chega ate a ser um ato de resistência principalmente se vc passar de 6 meses... Amamentar não é nada romântico, lindo e natural como aparece em filme ou televisão. E as pessoas não falam né?!. Dói!!! Mto!!!! Dói fisicamente e emocionalmente também. No inicio dói mais. Mas dói mesmo depois da amamentação estabelecida quando a cria mama mais ou morde por exemplo. E sempre tem alguém p falar alguma frase clássica desestimuladora como "mas vc tem leite?", "bebê tá c fome", "seu leite não vai sustentar", "tem que dar mamadeira", "dá chupeta que acalma", "dá fórmula que dorme", "mas vc nao dá nem uma frutinha", "Não dá água?!", etc etc. 🤔🤔🤔 Eu já ouvi tantas frases como profissional e agora como mãe que amamenta ... aff 😲😲 São inúmeras frases super legais (#sqn 😡😠) de se ouvir principalmente nos primeiros meses qdo vc já está nervosa, insegura e desestabilizada tendo a responsabilidade de um bebê nos braços. Claro que cada bebê e cada mãe tem históricos e realidades diferentes e alguns casos realmente a amamentação não acontece por inúmeros motivos. Mas esses motivos não deveriam incluir falta de informação e de orientação, né?! E também não deveria incluir tantos julgamentos... Desejo mais orientação de qualidade, menos criticas e julgamentos p as mamães e mais "tete" p as crias até qdo for bom p os dois. 

Lembrando que a recomendação do MS é leite materno exclusivo até os 6 meses e continuado até 2 anos ou mais. 

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Semana Mundial do Aleitamento Materno 2018

Hoje começa a Semana Mundial do Aleitamento Materno #SMAM2018.

Comemorada no mundo todo, entre 01 e 07 de agosto, a SMAM foi lançada pela WABA (Aliança Mundial para Ação em Amamentação), em 1992, com o objetivo de dar visibilidade a amamentação, incentivando grupos do mundo todo a trabalhar o tema na prática e a colocá-lo na mídia para ampla divulgação.

A campanha de 2018 tem como tema "Amamentação é a base da vida" e a Pró-Gestante, como apoiadora e incentivadora da amamentação, não podia ficar de fora.

Ao longo dos próximos dias, teremos publicações, relatos, evidências e dois eventos em prol da causa - vai perder?

Vem com a gente...

Vamos abrir com esse Karaokê sensacional gravado pela Anelise Wendhausen Claudino do canal Karaokê Materno - pq coisa boa a gente divulga mesmo.

Quer ver seu texto, relato ou foto aqui? Manda pra progestante@hotmail.com que a gente publica.


domingo, 22 de julho de 2018

Eu sou mãe e minha viagem importa

Por Fernanda Azevedo

Ser mãe cosmopolita, cheia de sonhos, ambições, desejos, planos e ciente de seus deveres e direitos, não é uma tarefa fácil. Não era nos primórdios e hoje continua sendo árdua a missão de maternar. Dura, pesada e cheia de tabus.

Escutei muito que quando nasce um filho, nasce também uma mãe!

Mas não. Não é bem por ai!

Existem infinitas formas de maternar. De ser. De se permitir. De se encontrar. De vivenciar as tênues linhas que a maternidade nos entrega no parir.

Antes de parir e depois de parir, somos confrontadas a dois tipos de contos: Sendo eles catastróficos demais ou românticos demais.

São mães de primeira viagem, geralmente apavoradas, que escutam horrores sobre o maternar. E pasmem, escutam isso de outras mulheres. Pois afinal de contas suas experiências em nada se pareceram com um conto sutil. E sim com um conto bruto, truculento e cruel escrito pelas mil e umas formas que a violência obstétrica se desenha.

Essas mulheres e seus contos de pânico. Fúria. Ranço. Suor. Lágrimas.
Elas existem aos montes. Empilhadas. Machucadas. Sangrando. Chorando.
Elas estão por toda parte. Mulheres que tiveram seus partos calados. Suas experiências dilaceradas. Seu maternar interrompido. Roubado. Destruído. 

Sim, essas mães importam!
Essas mães existem!
Essas mães possuem suas histórias.
E precisam ser ouvidas!

E não são menos importantes que as mães que estudam, frequentam rodas de apoio, conhecem seus direitos.

Precisamos falar sobre as diversas realidades. Precisamos falar sobre PRIVILÉGIOS que chegam para mães que conseguem pagar um Uber para chegar ao seu destino.

E aquelas que precisam pegar dois ônibus, uma barca, um trem rodar a cidade hostil e violenta com seu filho no ventre ou no colo, ou na mão.

Pegando ônibus lotado para chegar a um espaço confortável que a acolha por algumas horas até que ela saia daquela realidade. E volte para seu lar tendo em mente que semana que vem não vai conseguir ir devido ao custo da passagem.

Sim, essas mães importam!
Essas mães existem!
Essas mães possuem histórias!

É preciso falar sobre seus medos. Temores. Sobre a mudança que as abraça e não é pequena. Sobre a primeira viagem que não é menos importante que mulheres que tem 2, 3, 4 ou mais viagens.

Para se falar em abraçar mulheres. Precisamos sim falar sobre políticas públicas. Já que nosso corpo é político.

Precisamos falar de uma sociedade que não acolhe a mãe no mercado de trabalho.
Que em pleno 2018 nos confrontam com perguntas infames em entrevistas de emprego: E ai, você tem filhos?! Pretende ter filhos? Se em caso de doença do seu filho, você faltaria ao serviço?

Numa sociedade que ainda se importa tão pouco com aquelas que abrem suas pernas ou seus corpos para parir gerações. O que esperar da hostilidade de uma saúde em colapso? Que ainda possuem profissionais com tão pouca empatia para com as mães. Que normaliza falas como:
Não grita! Senão você não será atendida!

Sim, eu sou mãe!
Sim minha viagem importa!

Mas também importa a viagem de Francisca que mora na favela e pouco escuta falar de seus direitos.
Sim, importa a viagem de Luciana que ainda é desencorajada pelas mulheres da sua família a ter seus filhos por meios naturais. Afinal de contas, vai sofrer pra que se pode ter uma cesárea eletiva. Sem se importar ou se informar sobre os riscos para sua saúde.

Sim, importa a viagem da Carolina que está no auge da sua gravidez planejada, da sua vida estruturada, do seu carro na garagem, do seu plano de saúde. Mas está longe de conhecer de verdade seus direitos e do quanto saber seria importante não só para ela, mas para sua cria. E no auge do seu privilégio, construído ou de berço, ela pode sim, ser conduzida à permanecer na escuridão do não saber.

A viagem das mulheres não pode ser interrompida. Banalizada. Golpeada.  Pelo medo e aflição do círculo familiar, do círculo de amigos, pelos colegas de trabalho. Pelo desconhecimento estimulado no consultório, na sociedade, na mídia

Sim, eu sou mãe!
Sim, minha viagem importa!
Importa a viagem de todas.

Abrace. Estimule. Encoraje uma mulher.
Uma mãe. Uma puérpera!