Uma homenagem à mulher-mãe!

"E num dia de bendita magia, numa explosão de luz e flor, num parto sadio e sem dor, é capaz, bem capaz, que uma mulher da minha terra consiga parir a paz. Benditas mulheres." Rose Busko

terça-feira, 4 de julho de 2017

VBAC - Parto Normal após Cesariana

Até um tempo atrás valia a máxima "uma vez cesárea, sempre cesárea". Os motivos? Vários... mas o destaque ficava por conta do medo - não se sabia como um útero previamente operado se comportaria diante de um trabalho de parto e parto. Hoje há respaldo científico para afirmar que um parto normal é seguro, ainda que a mulher tenha cesariana prévia. A tão falada ruptura uterina tem índices de 0,72% (após 1 cesariana) à 1,36% (após duas cesarianas)¹. 

Mas para além das evidências sobre os riscos, me deparo com mulheres enfrentando um conflito entre o desejo de experimentar a experiência do parto e o medo de se arriscar numa jornada desconhecida. Afinal a cesarina já não é mais uma novidade para essas mulheres.

Num texto breve sobre uma metassíntese das experiências femininas, a Dra Melania Amorim destaca de modo brilhante:
As mulheres precisam de informação baseada em evidências não apenas sobre os riscos envolvidos, porque esse tipo de informação elas realmente recebem, mas também sobre os aspectos positivos do parto vaginal depois de uma ou mais cesáreas.²
E para muitas mulheres este é de fato o grande divisor de águas. 
Tinha dentro de mim ainda que tentaria o parto natural sim, e se não conseguisse ok, mas, na verdade, eu duvidava da minha capacidade de aguentar a dor (...) Hoje, 19 dias após conquistar meu parto natural, a dor já não importa, mas sim a plena realização, o estado de graça, a certeza de que optei pelo melhor.³ 
Ao longo dos anos acompanhando mulheres com cesariana prévia na busca por um parto normal, fica claro que conhecer os riscos não basta. É preciso resgatar a fé destas mulheres em sua própria capacidade de superar este desafio chamado trabalho de parto. É preciso ajudar a ver que para além de um processo mecânico de contrações que culmina no nascimento de um bebê, o parto é uma jornada de auto-conhecimento e auto-realização que as leva a descobrir uma força que não imaginavam existir. 

Agora veja, não basta mostrar à elas que o parto pode ser transformador se não se oferece o mínimo de dignidade e respeito por seu corpo, por seu tempo, por seus valores. O parto é da mulher e um parto tradicional e repleto de intervenções rotineiras, não fundamentadas em evidências, desrespeitosas e violentas não é transformador... é devastador. 

Essas mulheres precisam conhecer o parto humanizado... um parto de respeito a mulher protagonista, de cuidado um a um e baseado em evidências sólidas, de carinho, de paciência, de privacidade. Daquelas coisas que a gente já sabe que podem fazer do parto uma experiência única e plena como ele pode e deve ser pra cada mulher. E ai sim, quando ela entender suas escolhas, poderá de fato escolher seu caminho. 

E não, uma mulher JAMAIS será menos mãe por não parir. Mas também jamais vai saber o que perdeu, se não tentar.
1. Tahseen, S. and Griffiths, M. (2010), Vaginal birth after two caesarean sections (VBAC-2) - a systematic review with meta-analysis of success rate and adverse outcomes of VBAC-2 versus VBAC-1 and repeat (third) caesarean sections. BJOG: An International Journal of Obstetrics & Gynaecology, 117: 5–19. doi:10.1111/j.1471-0528.2009.02351.x
2. Amorim, Melania (2012), Estudando VBAC - metassíntese das experiências femininas. Disponível em: <http://estudamelania.blogspot.com.br/2012/08/estudando-vbac-metassintese-das.html>. Acesso em: 03 julho 2017.
3. Lopes, Lilian (2014), Meu relato de parto natural pós cesárea. Disponível em <http://progestante.blogspot.com.br/2014/03/meu-relato-de-parto-natural-pos-cesarea.html#more>. Acesso em: 03 julho 2017.

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