quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Preparar e amamentar...

A amamentação é muito importante na saúde do bebê e até na da mãe. Bebês amamentados exclusivamente nos primeiros 6 meses são mais resistentes a infecções, ficam menos propensos as alergias e cólicas, afinal o leite materno é um alimento mais fácil de ser digerido e não sobrecarrega o intestino.

Manter a amamentação após o 6º mês previne doenças crônicas como obesidade, hipertensão, diabetes, auxilia no crescimento do sistema nervoso central e proporciona melhor desenvolvimento neurológico, psicológico, motor e da inteligência.

Já para as mães, amamentar ajuda o útero a contrair e liberar a placenta, diminuindo o sangramento no pós-parto e ajudando a evitar a anemia. Também fortalece os laços entre a mãe e o bebê. Além disso as chances de câncer de mama diminuem com a produção de leite. Segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia - SBM, a cada ano de amamentação completa diminui de 3 a 4% o risco da mulher desenvolver o câncer de mama.

Antes mesmo do nascimento já se fala muito de amamentação e uma coisa que se fala é sobre a preparação dos seios. Mas NÃO É PRECISO NENHUMA PREPARAÇÃO DO MAMILO DURANTE A GESTAÇÃO. É isso mesmo, nada de lavar com sabonete tal, esfregar com esponja de não sei o que, botar no sol, passar creme… O seio se prepara sozinho para esse momento e é muito importante não interferir. Podemos notar essa preparação em mudanças que ocorrem ao longo da gestação, como as glândulas de Montgomery que aparecem ao redor do mamilo. São umas “bolinhas” que lubrificam e protegem a área e é muito importante não tentar tira-las ou espreme-las. Outro aspecto que podemos notar é o escurecimento das aréolas que ficam mais visíveis para o bebê. E algumas mulheres já até produzem um pouco de colostro enquanto grávidas e tudo isso é normal! Importante não ficar apertando e fazendo massagens. Para estar preparada procure um sutiã confortável e que, principalmente, não limite a área exposta do seio quando aberto para amamentação, daqueles modelos que tem só um buraco para passagem do bico. Esses modelos impedem o fluxo de leite e podem gerar problemas como entupimento de ductos pois garroteiam o seio, então prefira os que deixem a área mais livre. O ideal é amamentar sem nenhum sutiã, mas a gente sabe que as vezes temos que amamentar fora de casa e preferimos utilizar algo que dê sustentação.

Assim que o bebê nasce, é importante que se possa amamentá-lo logo nos primeiros minutos de vida e que os dois possam permanecer em alojamento conjunto 24 horas por dia para manter a livre demanda. Além disso é imprescindível não oferecer nenhum outro alimento ou bebida além do leite materno (salvo por indicação médica) ou dar bicos e chupetas que podem prejudicar a pega do bebê. Nos primeiros dias que se seguem, enquanto a produção de leite não se estabelece, é produzido o colostro, que é repleto de anticorpos produzidos pela mãe, e que transmitem ao bebê a informação sobre todos os microorganismo com os quais a mãe entrou em contacto durante toda a sua vida, protegendo assim o recém-nascido. O colostro é essencial para a imunidade do bebê e deve ser dado em livre demanda. E, então, dentro de 3 dias vem a descida do leite ou apojadura. Nela pode ocorrer o inchaço das mamas, uma vermelhidão e quentura no local, dor no corpo, fadiga, calafrios, mas os sintomas costumam durar de 48 a 72 horas e tendem a melhorar com compressas frias, massagens e ordenha entre as mamadas. Isso tudo também é normal pois o organismo está se adaptando a essa nova função.

Quando o bebê realiza a sucção, o mamilo é estimulado e envia uma mensagem para o cérebro dizendo que está na hora de produzir o leite, que por sua vez, emite uma mensagem para a produção dos hormônios prolactina e ocitocina. A prolactina age produzindo o leite e a ocitocina na ejeção do leite pelos ductos até o mamilo e para a boca do bebê. Portanto sem sucção não há produção e ejeção de leite, e sem a livre demanda “o seio" não saberá a necessidade do bebê. Portanto, salvo bebês com problemas de saúde, que necessitem de amamentação em períodos de tempo fechados, AMAMENTE EM LIVRE DEMANDA.

É muito importante também estabelecer uma “pega" correta, porque se não, o bebê suga só a ponta do mamilo causando fissuras, ou não abocanha direto a aréola e não faz a vedação correta, dentre outros problemas que podem gerar a má produção de leite. E para termos um bom posicionamento do bebê devemos nos atentar a algumas dicas:

1. O rosto do bebê deve estar de frente para a mama;
2. A barriga do bebê deve estar virada para a barriga da mãe;
3. Bebê com cabeça e tronco alinhados;
4. Bebê bem apoiado no antebraço;
5. Use de almofadas ou travesseiros para delimitar o corpo do bebê e dar mais apoio.

E para termos uma pega adequada, as seguintes dicas são essenciais:

1. Abocanhar a maior parte da aréola possível, com mais aréola visível acima da boca do bebê;
2. Boca bem aberta, o ângulo dos lábios deve ser o maior possível;
3. Lábios virados para fora, principalmente o inferior, para garantir uma boa vedação;
4. Queixo tocando a mama;
5. Técnica da pinça/prega da aréola.

Essa técnica é quando a mãe segura o seio, projetando o mamilo e vai "esfregando" o bico do seio na área da boca do bebê. Devido ao cheiro do leite ocorre o reflexo de abrir a boca e nessa hora, com a boca bem aberta é que se deve colocar a maior parte do mamilo e da aréola na boquinha do bebê. Lembrando que não devemos oferecer o seio rígido, cheio de leite, pois assim ele não conseguirá abocanhar bem a aréola. Deve-se fazer uma massagem e/ou uma pequena ordenha antes da mamada para deixar o mamilo flexível. E nunca segure o seio com os dedos em forma de tesoura, isso pode causar, novamente, um garroteamento dos ductos. Se seu seio for muito avantajado poderá sustentá-lo durante a amamentação por baixo dele, com a mão em forma de concha. 

É importante que se tenha em mente que a livre demanda nos primeiros meses geralmente quer dizer dedicação em tempo integral ao bebê, e que o apoio do parceiro, dos familiares e amigos é muito importante nesse momento. O leite materno é o alimento mais completo que existe e o bebê não vai necessitar de outro alimento até os 6 meses de idade. Depois dessa idade deve-se dar início a introdução de alimentos na dieta da criança, e o ato de amamentar deve ser mantido preferencialmente até os dois anos de vida ou mais.

“Amamentar é muito mais do que nutrir a criança. É um processo que envolve interação profunda entre mãe e filho, com repercussões no estado nutricional da criança, em sua habilidade de se defender de infecções, em sua fisiologia e no seu desenvolvimento cognitivo e emocional, além de ter implicações na saúde física e psíquica da mãe.” - Ministério da Saúde.

Beijos e até breve.

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