Uma homenagem à mulher-mãe!

"E num dia de bendita magia, numa explosão de luz e flor, num parto sadio e sem dor, é capaz, bem capaz, que uma mulher da minha terra consiga parir a paz. Benditas mulheres." Rose Busko

terça-feira, 5 de abril de 2016

Bancando o Parto, por Marianna Teixeira

Tô meio por fora e um tantinho atrasada, mas pelo pouco que sei estão querendo proibir a presença de doulas nas maternidades por aí. Essa história é velha, mas agora a coisa ficou feia - pelo menos pra mim - quando soube que a Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda - onde eu pari - maternidade pública referência em parto humanizado, decidiu aderir a essa proibição.

Apesar de termos plano de saúde, foi muito, muito difícil encontrar um lugar acolhedor pra gente nascer, nenhum dos cinco obstetras que nos atendeu topava fazer um parto normal. Ouvimos vários absurdos, cheguei a ficar com medo de ser obrigada a fazer uma cesária, mas pra minha sorte além de uma rede de mulheres maravilhosas que se formou ao nosso redor - de homens também, mas a presença feminina nesse momento é crucial, por isso eu digo mulheres antes de mais nada - e da parceria de nossa super doula, a Fernanda, ganhamos força e coragem pra bancar o nosso desejo. E aconteceu. Zoé veio lindo, do jeito que a gente queria, mas nem tudo são flores, parir é natural, mas não é nada fácil. 

Quando entramos na fase ativa do trabalho de parto a dor apertou, era enlouquecedora e quando ela passava eu olhava pro Heyk e sentia muito, muito medo pq apesar de saber que eu não estava sozinha e que aquela dor era o anúncio do nosso pequeno eu fiquei muito assustada e foi nessa hora que o trabalho que a Fê fez com a gente durante toda gestação não deixou que a dor virasse sofrimento. Enquanto ela não chegava eu só pensava em todas as coisas que ela nos ensinou - calma, a dor vem e passa. quando passar respira e pensa que é o zoé quase chegando. coragem - a voz dela vinha como um mantra. E quando ela chegou, silenciosa, sem perguntar quase nada, eu parei de ter medo. Me olhava firme, me fazia massagem, me acompanhava e eu fiquei grande, fiquei forte e topei a dor - deixa vir, não resiste, vai passar e quando ela passar, respira - E o zoé veio, Heyk segurou, cuidou dele e ela cuidou de mim, tive uma laceração bem grande, ela segurou a minha mão enquanto eu levava os pontos, me deu banho quando eu não tinha mais força nem pra ficar de pé, sem contar a força que me deu no pós parto, sempre disponível pra me ajudar no puerpério.

Nessa foto estamos os três, eu, zoé e a Fê. Tínhamos acabado de sair da sala de parto, eu exausta e feliz, ela só feliz.

Agora me diz: É ISSO QUE QUEREM PROIBIR?!!! Proibir a presença das doulas nas maternidades pra mim, é querer nos impedir de ter força pra parir, é só mais uma entre tantas violências conta nós mulheres.

‪#‎QueremosDoulasnoRJ‬ e em todos os lugares!

E tudo isso é pra dizer que hoje tem ocupação na ALERJ, bora lá. Bora abraçar quem abraçou a gente num momento tão importante: https://www.facebook.com/events/1587939861528010/

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