Uma homenagem à mulher-mãe!

"E num dia de bendita magia, numa explosão de luz e flor, num parto sadio e sem dor, é capaz, bem capaz, que uma mulher da minha terra consiga parir a paz. Benditas mulheres." Rose Busko

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Presença, por Vanessa Gomes Pereira

Mais uma noite de insônia e eu me vejo de novo diante dessa necessidade de documentar algo da maternidade novo: a escolha do parto normal na minha segunda gestação. 

Esse poderia ser um texto que se seguiria com palavras de ordem como "empoderamento" ou "meu corpo minhas regras" mas não é. E só tem um motivo pra não ser, essa não é a minha história e essas não são as minhas palavras de ordem. 

Minha primeira filha nasceu há exatos 2 anos e 7 meses de cesárea. A princípio isso não era um horror pra mim. Eu não era norteada por nenhuma ideologia, nem a favor da cesárea, nem do parto normal. O que decidi junto com minha obstetra foi esperar até 40 semanas pelo parto normal, o que não aconteceu. Não posso dizer que fui vítima de nenhuma violência a não ser a minha saída de cena, confortavelmente providenciada por mim mesma. Saí de cena quando não procurei me informar e, de dentro, decidir o que queria de verdade para esse momento; saí de cena várias outras vezes naquela gestação quando deixei que outrem, supostamente mais sabidos sobre qualquer assunto (de enxoval a amamentação) decidissem tudo por mim. A questão não é se esses outros estavam certos ou errados, a questão é que eu estava de fora. 

O dia 13/07/2013 me jogou pra dentro. Vivi uma queda vertiginosa pra dentro da maternidade sem ter minimamente me preparado. Foi como estar na praia, no sol quente e pular de cabeça na água gelada. Não pensei antes se mergulhava ou não, não escolhi o trecho mais calmo, não molhei os punhos e o pescoço, não flertei com o mar, não pedi licença a Iemanjá, não brinquei com a ponta dos pés como termômetro. Pulei assim, de repente, quando Laura nasceu. O efeito desse choque foi muito duro. Acho que de fato só pude senti-lo com uma frase que se repetia em mim e que dizia: "Nós não estávamos prontas". Era uma sensação que envolvia eu e minha filha. Essa palavra, " pronta " é ruim pq parece que envolve algum saber anterior, um diploma, uma conclusão de curso. Mas essa palavra pra mim tem mais a ver com o tal "de dentro". 

Isso ficou muito claro qdo vi o vídeo do dia do nascimento da Laura, feito pela querida Juliana Gava. O vídeo foi feito lindamente e, ainda assim, tudo que eu vi, em todas as cenas, foi:" Nossa, onde eu estava???" Eu não estava lá. Era um dia marcado, eu compareci a um compromisso com o nascimento da minha filha, ri, chorei, mas não teve um peso de um acontecimento até ela cair nos meus braços. 

Esse encontro com isso, com esse horror, causado e escolhido por mim pra chegada da pessoa que mais amo ao mundo, me fez, agora, querer outra coisa. Estou aqui, há 39 semanas, num árduo trabalho de estar presente. Não é protagonismo a palavra que me cabe melhor, mas presença, essa é uma das minhas palavras.

E um dia escrevo sobre o que é esse árduo trabalho. Se Isadora deixar eu escrever antes... Pq dessa vez, quem decide isso é ela.

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