Uma homenagem à mulher-mãe!

"E num dia de bendita magia, numa explosão de luz e flor, num parto sadio e sem dor, é capaz, bem capaz, que uma mulher da minha terra consiga parir a paz. Benditas mulheres." Rose Busko

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Evidências sobre Parto Domiciliar

Na manhã de hoje o G1 publicou uma nota sobre a morte de uma australiana após o nascimento de sua filha. Toda morte materna é uma tragédia, mas esse caso não chamaria atenção se o nascimento do bebê não tivesse sido domiciliar. 

Desde o parto de Gisele Bündchen a mídia brasileira está de olho em episódios de parto domiciliar, dando foco especial aos supostos perigos inerentes a estes eventos. 

Bom, para sanar as dúvidas sobre a morte da australiana e a seguranças dos partos domiciliares, nada melhor do que ouvir uma especialista com experiência no assunto. Então, com a palavra, a Dra Melania Amorim - médica obstetra.

"A matéria original cujo link me foi enviado, como boa parte das matérias da mídia brasileira, é pouco informativa e um pastiche da mídia internacional, uma vez que aqui se copia deslavadamente as publicações internacionais. Ainda não pude descobrir os detalhes do caso, porque pelo que entendi houve a transferência para uma UTI onde a paciente morreu um dia depois do parto. Tampouco sei ainda a causa. O que sei é que nos últimos 12 anos na Austrália essa foi a primeira morte por parto domiciliar. Evidentemente, por mais raro que seja o desfecho morte materna nos países desenvolvidas, evitar TODAS as mortes é virtualmente impossível, e UM relato de caso não é argumento convincente contra parto domiciliar, porque o que é necessário é comparar mulheres de baixo risco que tiveram parto domiciliar versus hospitalar e avaliar a frequência de desfechos adversos em cada grupo. Até agora, nenhum estudo comprovou aumento do risco de morte materna em partos domiciliares, incluindo a coorte holandesa com mais de 600.000 partos. Claro que se irá dizer que o evento é raro e que uma casuística maior é necessária para afastar o risco, mas essa é uma evidência mais consistente que um relato de caso. 
Relato de caso por relato de caso, eu posso vos contar de uma parada cardíaca durante uma cesariana eletiva sem indicação médica definida, e de uma fasciíte necrosante após cesariana eletiva para ligadura tubária, ambas resultando em mortes maternas de mulheres de baixo risco nas duas cidades em que trabalho. Poderia vos contar outros casos, mas é preferível não discutir com base em relatos do que eu vi ou da "minha experiência", bem como prefiro ignorar a péssima cobertura da mídia em relação ao parto domiciliar.  
Lamento muito a morte da Caroline, porque como diria John Donne, "a morte de qualquer homem afeta a mim porque faço parte da humanidade", e a morte materna, onde quer que ocorra, é sempre uma tragédia. Mas acho injusto utilizar a sua história como propaganda anti-parto domiciliar. Preferiria que em vez disto estivéssemos discutindo estratégias para tornar mais segura a assistência ao parto em todos os níveis, o que inclui, inevitavelmente, tentar reduzir a absurda taxa de cesárea no Brasil. 
A propósito, eu não sei por que tanta implicância com o percentual baixíssimo de mulheres que optam por ter parto domiciliar em nosso país. Embora conservador, o posicionamento do ACOG é bem mais coerente que os de nossos conselhos e sociedades, uma vez que, embora alegue "maior risco" para os partos domiciliares (o que considero um equívoco, porque o ACOG se baseou na enviesadíssima metanálise de Wax para chegar a essa conclusão), em sua diretriz o Colégio Americano reconhece que é um direito das mulheres a escolha do local de parto, e que esforços devem ser envidados no sentido de se garantir a segurança do parto domiciliar. 
Abaixo, o posicionamento da organização "Home Birth Austrália". 
Abraços, 
Melania"

MEDIA RELEASE FROM HOMEBIRTH AUSTRALIA
February 1 2012

In the wake of the recent death of a woman in Victoria, many parents around Australia today will be feeling sorrow for Caroline Lovell's tragic death and sadness for the family she has left behind. Her death following her planned home birth was the first incident of a mother dying related to a home birth in Australia since 1999 as reported by Australian government data.1 “The call for a ban on home births in yesterday's Herald Sun because of one maternal death since 1999 is completely illogical. Sadly many women died in Australian hospitals in childbirth last year - should we ban hospital births, too?” Michelle Meares, Homebirth Australia spokesperson said. 

In Australia our maternal mortality rate is one of the lowest in the world at 8.4 in every 100,000 women. The latest statistics, from 2003-05, show only 65 maternal deaths occurred in Australia. None of these were related to home births. 

“Home births have consistently been proved to be safe. Large international studies, including a Dutch study with over 500 000 women show there is no increase in deaths of mothers or babies when women birth at home with a midwife. 

“Many studies show women who have a planned home birth have fewer interventions, including epidurals and inductions, and use of forceps, vacuum extraction or caesarean births, Homebirthing mothers and babies are less likely to experience the complications associated with these procedures, including the significantly increased risk of death and severe complications for both that follows a cesarean birth. Homebirthing mothers and babies are less likely to experience the complications associated with these procedures, including the significantly increased risk of death and severe complications for both that follows a cesarean birth. 

More and more families are choosing to have a home birth in Australia, with a 33 per cent increase between 2004 and 2009. In the US, they've just recorded the highest rate of home births ever, with a 30 per cent rise in home births in the same period. 

“The choice about where to give birth belongs with a woman and her family. Parents have the right to make decisions about their children -- what they eat, where they go to school and also where they give birth. To suggest that right should be taken away is ridiculous in today's democratic society,” Ms Meares said. 

“The private midwives who attend homebirths are highly trained professionals who carry equipment for dealing with medical emergencies. Women who opt to birth at home choose to do so because they've decided that it's the safest place for their babies and themselves. Women choose a home birth because they want to give birth in the comfort of their home, with a midwife they know and trust. They want their families to be with them and they want to be in control of the experience. 

“Caroline has been reported as being a homebirth advocate. When there was a threat to homebirths due to the Federal Government’s new midwifery legislation in 2009, Caroline responded the way thousands of women around the country did by sending submissions to a Senate Inquiry which have been reported in the media. 

“Despite the Federal Government’s announcements around the National Maternity Services Plan in November 2011, planned homebirth has yet to be properly funded or supported. 

“In the UK, where 22% of women reported that they would prefer a homebirth, the government has made a pledge to ensure that all women have the option of a homebirth, Australian women deserve the same”, Ms Meares said. 

In 2009, there were 863 planned homebirths, representing 0.3% of all women who gave birth. The average age of women who choose a homebirth is 31.7 years, 75% are having their second or subsequent baby and 58.6% of homebirths occur in major cities. According to Dr Sarah Buckley, mother of four homeborn children, former GP and now writer on pregnancy, birth and parenting: “Homebirth is a safe option with significant advantages for mothers and babies. The extremely low need for intervention that happens when women feel private and safe in their own home, is reflected in lower rates of complications, including prematurity, low birth weight, infections, lacerations, post-partum haemorrhage and retained placenta, International studies support the safety of planned homebirth for healthy mothers and babies.”

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