Uma homenagem à mulher-mãe!

"E num dia de bendita magia, numa explosão de luz e flor, num parto sadio e sem dor, é capaz, bem capaz, que uma mulher da minha terra consiga parir a paz. Benditas mulheres." Rose Busko

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A Revolução das Mães



"Somos mamíferas - ainda que esqueçamos - porque temos mamas. E todas as mamíferas foram designadas para amamentar suas cria. Portanto, todas somos capazes de nutrir o bebê recém nascido com o leite que vem naturalmente do interior de nosso corpo. É verdade que o conceito “natural” está completamente manipulado pela cultura, por isso nos ater ao que é ou não “natural” costuma parecer-nos bastante complexo.

Então depositamos tantas fantasias no alimento, no que é bom ou não oferecer ao bebê, que o “dar de comer” se converteu em todo um problema para as mães modernas. Inclusive dar de mamar passou a ser algo difícil de conseguir, algo que há que superar, controlar e estudar ao pé da letra para ter sucesso. É estranho que em somente 50 anos da recente história, tenhamos esquecido a natureza, a simplicidade e o silêncio com que as mulheres sempre amamentaram aos nossos filhos desde que existe a humanidade.

A realidade é que a amamentação é fundamentalmente contato, conexão, braços, silêncio, intimidade, amor, doçura, repouso, permanência, sono, noite, solidão, fantasia, sensibilidade, olfato, corpo e intuição, ou seja, tudo é muito distante das receitas pediátricas e de todos os “deve ser” que pretendemos cumprir no papel de mães.

A amamentação falha quando a colocamos dentro dos parâmetros de “melhor alimento”. Quando calculamos, medimos, pesamos ou estamos atentas às quantidades e tempos em que o bebê tomou ou deixou de tomar. Não se trata de pensar no que come. Se trata de estar junto. É algo tão natural que esquecemos dele. Porque quase não mantemos relações afetivas de modo simples, sem projetos nem objetivos.

Para ser uma boa mãe, acreditamos que devemos dar ao bebê o melhor. E se o melhor não é quantificável, a amamentação falha.

A questão vai além dos desejos ou ilusões sobre um bom alimento, somos um exército de mães que não podemos dar de mamar aos nossos filhos, somos mães a quem nos sangram os mamilos, nos ferem e o pior de tudo: o bebê volta a pedir como se não houvesse sido suficiente o que mamou uma hora antes. Temos a sensação de que as contas nunca dão bons resultados em matéria de amamentação. Não se pode viver assim!

Ambas as situações, amamentação e liberdade, não são compatíveis. Ninguém pode determinar o que é que cada qual deve fazer. Mas sim é importante que saibamos o que ganhamos e o que perdemos frente a cada decisão."

- Laura Gutman em "A revolução das mães" pg 99-101, tradução de Sandra CP

3 comentários:

  1. Ótimo artigo! Laura Gutman é show de bola!
    A questão é que a doação que algumas mamães pensam que o ato de amamentar é só colocar o bebê pra mamar! Tem que captar a nível inconsciente a sabedoria do deixar-se, permitir-se amamentar! E aí o buraco é bem mais embaixo!
    Pq envolve aceitarmos e acolhermos a nossa natureza e o que há de incontrolável nela! E hoje, amiga, o inesparado é feio, bobo e mal!
    Triste!
    Obrigada por compartilhar!
    bjs

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  2. Lindo texto! Uma pena esse afastamento da nossa essência! E conca bem antes da amamentação ne... A gestação e o parto deixaram de ser instinto, as mulheres agendamento suascesarias dsncessarias e vão todas bonitas, de nhãs feitas e escova no cabelo, deixarem seus corpos entregues a bisturis e pontos...infelizmente 90% dos nascimentos Sao assim, imagine o amamentar, sem consciência nada vai pra frente!
    E as coisas mas lindas da minha vida, foi o parto natural e amamentar meu filhote! Amor em sua forma mais pura!

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  3. Esse texto é muito bom mesmo. Fique a vontade para compartilhar o que quiser! :)

    Sim! Eu não sabia que esse blog era seeeeu! E já sigo faz muuuuuuuuito tempo! Que felicidade saber! rs
    Ele é lindo! Parabéns!

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