Uma homenagem à mulher-mãe!

"E num dia de bendita magia, numa explosão de luz e flor, num parto sadio e sem dor, é capaz, bem capaz, que uma mulher da minha terra consiga parir a paz. Benditas mulheres." Rose Busko

segunda-feira, 14 de março de 2011

Problemas na Amamentação... e agora?

Você sempre sonhou em amamentar seu bebê e faria qualquer coisa para que isso acontecesse, certo? Mas e se algo sair errado?

Eu não tenho dúvidas de que toda mãe mentalmente saudável faria de tudo para ver seu bebê bem, mas é exatamente neste ponto que minha pergunta se encaixa.

Muitas mulheres imaginam que amamentar é algo instintivo. E embora seja verdade que o bebê nasce com instinto para sugar, também é verdade que ele não faz idéia do que fazer com isso, o que significa que você precisará ensiná-lo a utilizar este instinto para obter alimento. Mas e quem ensina a você o que fazer? Na maioria das vezes, ninguém.

A seguir, vamos pensar um pouco sobre um dos casos mais comuns nos primeiros dias do pós-parto - talvez isso ajude você a entender o quanto a amamentação exige atenção.

Seu bebê nasce com 2920kg sai do hospital em seus braços pesando 2650kg. Lembrando que os bebês perdem em média 10% do seu peso corporal nos primeiros dias após o nascimento, esse é um bebê bastante normal.

Bem, você vai pra casa feliz e segue a risca a orientação de amamentação sob livre demanda do Neonatologista. Após 3 dias do nascimento suas mamas parecem dois blocos de concreto, vazam como torneira quebrada e seu pequeno mama de hora em hora, inclusive a noite. Algo te parece estranho neste relato? Não, né?! Eu mesma já ouvi centenas de mães com essa mesma história...

A crise começa uma semana depois do nascimento, quando você vai ao consultório fazer a primeira consulta do bebê e se depara com uma surpresa - seu bebê continua perdendo peso. E embora a Sociedade Brasileira de Pediatria oriente que na primeira consulta ao pediatra a importância do aleitamento materno deva ser reforçado (vide manual da SBP), a maioria dos pediatras, diante desta constatação fará a temida prescrição do complemento.

Você vai pra casa e começa a saga: peito + mamadeira e logo seu peito quase não tem mais leite (não porque você tenha algum problema físico, mas simplesmente porque seu bebê está sugando menos) e seu bebê se debate recusando a mama. E logo você que tanto sonhou com a amamentação agora se vê diante de um dilema, porque se de um lado há o conhecimento de que amamentar é importante para a saúde e desenvolvimento de seu bebê e para a relação de vocês, de outro você não quer comprometer o crescimento de seu pequeno (a).

Normalmente leva cerca de 40 dias para que a mãe procure a ajuda de um especialista em amamentação querendo que seu bebê volte para o peito. Como ele (a) já tem quase 02 meses o processo pode ser longo e não há como garantir quando vá funcionar e nem tampouco há fórmula mágica para isso - de fato o manejo clínico da amamentação é uma ciência que exige individualização, isto é, para cada dupla mãe/bebê é de um jeito. 

Seja qual for a técnica que funcionará com você, no fim do processo agente quase sempre esbarrará em um probleminha - como acreditar que meu bebê não voltará a perder peso se sair da fórmula? E a resposta é sempre a mesma... removendo a fórmula. Mas acreditar ou não, não é o problema absoluto. O que realmente atrapalha, a raíz da questão está num fato - a secreção do leite é o resultado de um delicado mecanismo fisiológico que sofre a influência de vários fatores, inclusive externos, ou seja, as condições emocionais da mãe são fundamentais para que seu bebê possa extrair o leite que você produz - ansiedade e excesso de preocupações podem inibir os reflexos elaborador e propulsor do leite nas glândulas mamárias. Sem falar das condições do ambiente em que ela amamenta. O que significa que se a mãe não acreditar que seu leite é capaz de sustentar seu bebê, a ansiedade produzida pela retirada da fórmula faz com que a ejeção do leite diminua e o bebê fique com fome. Como resolver esse dilema? Auto-confiança e tranquilidade ajudam bastante, assim como o apoio da família e de um profissional especializado.

Mas vamos voltar um pouco na história pra tentar entender essa perda de peso da primeira semana, quem sabe assim não ajudamos aquelas que ainda não tiveram seus bebês:

Embora seja comum, o fato do bebê mamar de hora em hora não é normal e pode atrapalhar o ganho de peso. Isso porque ao mamar assim com tanta frequência o bebê tende a extrair apenas o leite anterior (rico em açúcar, água e sais minerais, responsável por hidratar o bebê)  deixando para traz o leite posterior (rico em gorduras e responsável por engordar o bebê). Isso sem falar na quantidade de calorias que ele gasta mamando assim com tanta frequência - o normal são de 8 a 10 mamadas/dia, mas de hora em hora o bebê chega a mamar 24 vezes/dia. Como resultado suas mamas ficarão inchadas e doloridas e seu bebê, embora hidratado, logo sentirá fome novamente.

Uma fala antiga carrega bastante sabedoria "dormir engorda", e de fato o bebê precisa dormir não só para ganhar peso, mas igualmente para "armazenar" as informações que aprendeu. E nos 02 primeiros meses de vida o bebê dorme muito (de 18h a 22h nas primeiras semanas, reduzindo este tempo conforme o bebê cresce), ou pelo menos deveria!

Perceba que não é uma, mas um somatório de fatores que podem explicar a falta de ganho de peso do bebê do caso acima. É claro que há casos e casos e que não se pode dizer que todas as mães cujos bebês não ganharam peso nas primeiras semanas tiveram os mesmos problemas, mas é preciso entender cada caso antes de partir para a solução do problema.

O fato é que a amamentação talvez seja uma das maiores fontes de crise nas primeiras semanas do pós-parto. Isso porque seu bebê e você ainda estão se adaptando um ao outro e até que esta adaptação esteja estabelecida e consequentemente a amamentação, é preciso ser paciente, persistente e, sobretudo, é preciso ter apoio.

Aqui vão algumas dicas valiosas para minimizar os problemas nesta fase de adaptação:
  1. Informe-se antes de seu bebê nascer - faça um curso de primeiros cuidados, leia livros de autores especialistas, participe de grupos de apoio;
  2. Procure um (a) pediatra para seu bebê antes dele (a) chegar e certifique-se de que a conduta deste profissional em relação ao aleitamento condiz com o que a OMS recomenda e com o que você busca - é importante se sentir acolhida, apoiada e segura, afinal ele (a) vai cuidar de seu bebê por muito tempo;
  3. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que a primeira consulta seja feita no 15o dia de vida do bebê - dê esse tempo a vocês para se adaptarem um ao outro; 
  4. Sempre que for as consultas relate ao seu pediatra TUDO o que está acontecendo - se seu pediatra souber que seu bebê não está dormindo e não está mamando como deveria provavelmente vai te dar orientação e não a prescrição de uma fórmula;
  5. Se os problemas na amamentação persistirem por mais de 01 semana, procure um consultor em amamentação - quanto mais cedo o apoio especializado chegar, mais rápido a solução aparece.

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